Dívidas em atraso na RMC chegam a R$ 10,8 bilhões e acendem alerta sobre crédito consignado

A Região Metropolitana de Campinas atingiu a marca de R$ 10,8 bilhões em dívidas em atraso, segundo dados da Serasa.

A Região Metropolitana de Campinas atingiu a marca de R$ 10,8 bilhões em dívidas em atraso, segundo dados da Serasa. O valor representa uma média de R$ 8.127 por inadimplente, o equivalente a cerca de cinco salários mínimos.

O aumento do endividamento, impulsionado pela facilidade de acesso ao crédito consignado para trabalhadores com carteira assinada, tem gerado preocupação não apenas pelo impacto financeiro, mas também pelos reflexos na saúde mental e no desempenho profissional. O cenário acendeu um alerta nos departamentos de recursos humanos das empresas.

Criado pelo Governo Federal, o programa Crédito do Trabalhador entrou em vigor em março de 2025. A modalidade permite a contratação de empréstimos com desconto automático das parcelas diretamente na folha de pagamento. Nesses casos, o empregador não participa da negociação dos valores nem das taxas de juros.
Em uma empresa da região, metade dos funcionários aderiu à linha de crédito: são 90 trabalhadores entre os 180 empregados. Há casos de pessoas que acumulam até 15 empréstimos ao mesmo tempo.

O montador de produção Idalmo Lima dos Santos recorreu ao crédito para organizar as contas. Ele pegou R$ 2,5 mil emprestados, divididos em seis parcelas de R$ 556. Mas levou um susto ao perceber a redução no salário já no mês seguinte.

A advogada especialista em Direito do Trabalho, Caroline Furlan Santos Gibson, alerta que é fundamental analisar com cuidado as condições do empréstimo antes da contratação. Isso porque a dívida não desaparece em caso de demissão. O débito permanece vinculado ao CPF do trabalhador até a quitação total. Se ele conseguir um novo emprego, os descontos poderão continuar sendo feitos diretamente na folha de pagamento da nova empresa.

Por isso, especialistas recomendam avaliar o orçamento e a real necessidade do crédito antes de aderir ao programa. O objetivo é evitar o acúmulo de dívidas, o comprometimento da renda e os impactos que os problemas financeiros podem causar à saúde mental.

Fonte: CBN Campinas